PROCESSOS DE TRABALHO E SAÚDE MENTAL DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Autores

  • Maria Lara Rodrigues de França Universidade Estadual do Piauí
  • Ângela Sousa de Carvalho Universidade Estadual do Piauí
  • Andréa Conceição Gomes Lima Universidade Estadual do Piauí
  • Michelle Vicente Torres Universidade Estadual do Piauí
  • Abimael de Carvalho Universidade Estadual do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.66104/j15ygg28

Palavras-chave:

Agentes Comunitários de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Saúde Mental

Resumo

 

A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e exerce papel central na organização do cuidado. Nesse cenário, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) assumem função estratégica ao atuarem como ponte entre os serviços de saúde e a comunidade, fortalecendo o acesso, o vínculo e a integralidade da atenção. Essa atuação ocorre em territórios frequentemente marcados por vulnerabilidades sociais, o que intensifica os riscos à saúde mental desses trabalhadores. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo identificar, na literatura científica, os impactos dos processos de trabalho e suas implicações para a saúde mental dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados Scielo, Lilacs, Medline e Portal de Periódicos da CAPES. As buscas ocorreram entre setembro e novembro de 2025, utilizando os descritores “Agente Comunitário de Saúde”, “Saúde Mental” e “Atenção Primária à Saúde’, combinados entre si, bem como seus correspondentes em inglês. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 13 estudos compuseram a amostra. Os estudos analisados evidenciaram associação entre o adoecimento mental e os processos de trabalho na APS, manifestado por transtornos mentais comuns, estresse ocupacional, ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Entre os principais fatores associados, destacaram-se a sobrecarga de trabalho, precarização das condições de trabalho, baixa valorização profissional, insatisfação salarial, exposição à violência nos territórios e a fragilidade do suporte institucional. Estudos com recortes de gênero indicaram maior vulnerabilidade das mulheres ao sofrimento psíquico. Esses fatores apresentaram maior impacto no contexto da pandemia de COVID- 19, com persistência de indicadores de sofrimento psíquico no período pós-pandêmico. Conclui-se que os processos de trabalho na APS impactam significativamente a saúde mental dos ACS, evidenciando o adoecimento como resultado de determinantes organizacionais e estruturais do trabalho.

 

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Biografia do Autor

  • Ângela Sousa de Carvalho, Universidade Estadual do Piauí

    Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC),

    Preceptora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família pela

    Universidade Estadual do Piauí (UESPI),Brasil

  • Andréa Conceição Gomes Lima, Universidade Estadual do Piauí

    Docente da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Coordenadora no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI),Brasil

  • Michelle Vicente Torres, Universidade Estadual do Piauí

    Docente da Universidade Estadual do Piauí,Tutora no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Brasil

  • Abimael de Carvalho, Universidade Estadual do Piauí

    Fisioterapeuta, Residente em Saúde da Família pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Brasil

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Publicado

2026-03-16

Como Citar

PROCESSOS DE TRABALHO E SAÚDE MENTAL DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. (2026). REMUNOM, 13(03), 1-23. https://doi.org/10.66104/j15ygg28