REORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E COMPOSICIONAL EM PARCELAS PERMANENTES DE CAATINGA: EVIDÊNCIAS DE CRESCIMENTO COMPENSATÓRIO E REDISTRIBUIÇÃO DE DOMINÂNCIA ENTRE 2022 E 2024
DOI:
https://doi.org/10.66104/pnmen722Palavras-chave:
caatinga, Floresta seca, Inventário Florestal, Parcelas permanentesResumo
Florestas tropicais sazonalmente secas apresentam dinâmica fortemente modulada pela variabilidade climática e pelo estresse hídrico, fatores que influenciam simultaneamente a mortalidade, o crescimento e a composição de espécies. Este estudo avaliou mudanças estruturais e composicionais em 32 parcelas permanentes inseridas na Caatinga, Nordeste do Brasil, comparando inventários realizados em 2022 e 2024. Foram analisadas variações na densidade (N), área basal (G), distribuição diamétrica, contribuição específica ao incremento estrutural (ΔG), dissimilaridade de Bray-Curtis e padrões multivariados por ordenação NMDS.
Observou-se leve redução na densidade média por parcela, associada a aumento expressivo na área basal, indicando crescimento compensatório dos indivíduos remanescentes. A distribuição por classes diamétricas evidenciou redução na menor classe e incremento nas classes intermediárias, sugerindo progressão estrutural com recrutamento limitado no período. O incremento em área basal concentrou-se em poucas espécies, com destaque para Prosopis juliflora e Poincianella pyramidalis, indicando reorganização na dominância estrutural. As dissimilaridades foram mais elevadas quando baseadas em área basal do que em abundância, evidenciando alterações mais intensas na estrutura de biomassa do que na composição florística. A ordenação NMDS revelou deslocamentos heterogêneos entre parcelas, sugerindo respostas locais diferenciadas.
Os resultados indicam que, no intervalo analisado, a comunidade apresentou crescimento estrutural significativo acompanhado de reorganização na dominância, padrão consistente com processos recentes descritos para florestas secas da América Latina sob variabilidade climática.
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