AS MÃES-TIGRES E O “DRAGÃO” DO DIREITO: UM ESTUDO SOBRE A RIGIDEZ DA EDUCAÇÃO ORIENTAL EM FACE AO DIREITO UNIVERSAL INFANTIL
DOI:
https://doi.org/10.66104/q3y23r51Palavras-chave:
Direitos da criança; Dignidade humana; Sociedade do desempenho; Educação e produtividade; Parentalidade contemporânea.Resumo
O presente trabalho realiza uma análise aprofundada sobre a rigidez educacional associada ao modelo parental denominado “mães-tigres”, analisando suas implicações à luz da dignidade da pessoa humana e dos direitos universais da criança. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e analítico-interpretativa, fundamentada em revisão bibliográfica sistematizada e análise documental de instrumentos normativos internacionais. O referencial teórico articula a crítica da sociedade do desempenho, desenvolvida por Byung-Chul Han (2019), com a abordagem cultural sobre alta performance educacional presente em Amy Chua (2012), estabelecendo diálogo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção sobre os Direitos da Criança. Metodologicamente, procede-se a uma análise histórico-social comparativa entre contextos do Leste Asiático e o cenário brasileiro, investigando como fatores econômicos, culturais e estruturais influenciam a internalização precoce da lógica produtivista. Sustenta-se que a busca exacerbada por excelência acadêmica, embora frequentemente legitimada como instrumento de mobilidade social, pode resultar em práticas potencialmente lesivas ao desenvolvimento integral infantojuvenil. Conclui-se que a naturalização da alta performance na infância exige revisão crítica sob o prisma dos direitos humanos, especialmente quanto aos limites ético-jurídicos da exigência de desempenho no ambiente familiar e educacional.
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