MICROBIOTA INTESTINAL E NEUROINFLAMAÇÃO EM ADULTOS: uma revisão da conexão intestino-mente-corpo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.66104/ncd79c34

Palavras-chave:

Disbiose, microbiota intestinal, sistema imunológico, eixo intestino-cérebro-microbiota, comunicação celular

Resumo

A relação entre a microbiota intestinal e a saúde mental tem sido amplamente discutida na literatura científica, especialmente no contexto de transtornos neuropsiquiátricos e inflamatórios. Este estudo visa reunir evidências sobre como o desequilíbrio da microbiota intestinal (disbiose) influencia a manifestação de sintomas neuropsiquiátricos e inflamatórios em adultos, com ênfase na conexão intestino-mente-corpo. Trata-se de uma revisão de literatura descritiva, qualitativa e integrativa, realizada entre 2020 e 2024, utilizando as bases de dados LILAC, MEDLINE e PubMed. Dezesseis estudos foram incluídos, indicando que intervenções com probióticos, simbióticos e transplante de microbiota fecal (TMF) apresentaram efeitos significativos na redução de sintomas como ansiedade, depressão e comprometimento cognitivo, embora o TMF tenha evidências limitadas em humanos. Mecanismos como aumento da permeabilidade intestinal, ativação do eixo HPA, redução de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e modulação de citocinas pró-inflamatórias são destacados. Embora os resultados sejam promissores, ainda existem lacunas metodológicas em relação à padronização das cepas, das dosagens e das escalas clínicas. Conclui-se que a modulação da microbiota representa uma abordagem terapêutica promissora, mas ensaios em larga escala com metodologia rigorosa ainda são necessários para consolidar as evidências.

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Biografia do Autor

  • Amauri dos Santos Araujo, Universidade Federal de Alagoas

    Graduando do curso de Medicina, Universidad  Autónoma Del Sur, Paraguay. Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas (PPGENF/EENF-UFAL). Facilitador do Projeto Navega SUS, no âmbito do PROADI-SUS/A.C. Camargo Cancer Center. Assessoria Técnica do Gabinete do Secretário de Saúde do Município de Feliz Deserto-AL. Pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Especialista em UTI Geral e Gestão da Assistência Intensiva ao Paciente Crítico e em Enfermagem em Cuidados Pré-natal, ambas pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Educação São Luís. Bacharel em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).Possui sólida experiência na Coordenação da Atenção Primária à Saúde e na gestão de equipes multidisciplinares, com foco na promoção de atendimento humanizado, resolutivo e orientado à melhoria contínua dos indicadores de qualidade assistencial. Atuou no desenvolvimento de atividades em Pronto-Socorro, com ênfase em triagem, classificação de risco, atendimento de urgência e manejo de condições clínicas agudas, destacando-se pela identificação rápida e eficaz de prioridades assistenciais.Apresenta habilidade para atuar sob pressão, com tomada de decisão ágil, ética e baseada em evidências, em consonância com os protocolos clínicos vigentes. Desenvolve atuação nas áreas de Enfermagem no cuidado à saúde e na promoção da vida, assistência integral à saúde e saúde do adulto, com compromisso técnico, científico e social.

  • Janete Fonseca, Universidad Autónoma Del Sur, Paraguay

    Graduanda do curso de Medicina, Universidad Autónoma Del Sur, Paraguay e Graduada em Cirurgião Dentista pela Universidade Federal de Uberlandia. 

  • Isabel Comassetto, Universidade Federal de Alagoas

    Possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM (1993). Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (2007). Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo - USP (2014). Atualmente é docente da Universidade Federal de Alagoas -UFAL. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa PROCUIDADO; Grupo Cuidado em Saúde; Grupo REDE de Pesquisa e Prática em Trabalho, Educação e Saúde Coletiva. Tem experiência profissional com ênfase em Terapia Intensiva, Urgência e emergência; Enfermagem Médico-Cirúrgica, Oncologia e Segurança do paciente.. Atua principalmente nas seguintes áreas: Cuidados ao paciente crítico nos diversos espaços assistenciais; Segurança do paciente e qualidade em saúde; O cuidar do profissional, paciente e família na experiência de doença, morte e luto.

  • Maria Elizabete Rodrigues Viana, Universidade Federal de Alagoas

    Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem - PPGENF/UFAL. Graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Alagoas. Especialização em Enfermagem do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. Especialização em Enfermagem Dermatológica pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CEFAPP - 2017-2018). Linha de pesquisa em Enfermagem no Cuidado em Saúde e Promoção da Vida. Colaboradora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Qualidade e Segurança na Saúde e Enfermagem - UFAL.

  • Santsder Choque Mamani , Universidade Nacional Ecológica

    Médico e Doutor; Docente da Universidade Nacional Ecológica, Bolívia.

  • Adriadina Olivieira Soares, Universidade Nacional Ecológica

    Graduanda do curso de Medicina, Universidade Nacional Ecológica, Bolívia

  • Deise de Oliveira Aguiar , Universidade Nacional Ecológica

    Graduanda do curso de Medicina, Universidade Nacional Ecológica, Bolívia.

  • Valmir Antonio Finetti, Universidade Nacional Ecológica

    Graduando do curso de Medicina, Universidade Nacional Ecológica, Bolívia.

  • Jorge Luiz Muniz Silva, Universidade Nacional Ecológica

    Graduando do curso de Medicina, Universidade Nacional Ecológica, Bolívia.

Referências

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Publicado

2026-03-31

Como Citar

MICROBIOTA INTESTINAL E NEUROINFLAMAÇÃO EM ADULTOS: uma revisão da conexão intestino-mente-corpo. (2026). REMUNOM, 13(04), 1-22. https://doi.org/10.66104/ncd79c34