INTERDISCIPLINARIDADE E DIVERSIDADE CULTURAL: RESISTÊNCIA AO NEOCONSERVADORISMO NA EDUCAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.66104/92e0bd68Palavras-chave:
interdisciplinaridade; diversidade cultural; currículo; resistência; neoconservadorismo.Resumo
O tema da relação interdisciplinaridade e diversidade cultural reveste-se de importância ao se pensar na contribuição, que a primeira pode oferecer para fortalecer (ou não?) a reflexão sobre diversidade cultural como resistência ao neoconservadorismo na educação. Para tanto, buscamos compreender o sentido de interdisciplinaridade anunciada na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e no Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas públicas de Educação Básica pesquisadas e seu potencial no fortalecimento da diversidade cultural. A pesquisa empreendida configurou-se como estudo qualitativo analítico descritivo centrado na compreensão das interpretações, que nos ofereceram a análise documental, na interlocução com os autores de referência. Pela análise da BNCC inferimos que a interdisciplinaridade se evidencia no documento, mas com teor confuso e pouco explícito, ressaltando a perspectiva metodológica em detrimento da epistemológica. Os PPPs das escolas replicam a situação apreendida na BNCC em relação à interdisciplinaridade. Do mesmo modo, BNCC e PPPs indicam a diversidade cultural a ser tratada no currículo escolar, sem alusão clara referente à significação a considerar, muito menos, sobre sua articulação discursivo-epistemológica explícita ao contexto da interdisciplinaridade.
Downloads
Referências
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2014.
BARBER, Benjamin R. Consumismo: como o mercado corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos. Rio de Janeiro: Record, 2009.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2014.
BAUMAN, Zygmunt. Vidas desperdiçadas. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília, DF: MEC, 2010. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=6704-rceb004-10-1&category_slug=setembro-2010-pdf&Itemid=30192. Acesso: 20 out. 2023.
BRASIL. Base nacional comum curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf. Acesso: 25 out. 2023.
CELLARD, André. A análise documental. In: POUPART, Jean et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 295-316.
CHAUÍ, Marilena S. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. São Paulo: Cortez, 2017.
CORTESÃO, Luiza; STOER, Stephen R. A interface de educação intercultural e a gestão de diversidade na sala de aula. In: GARCIA, Regina L.; MOREIRA, Antonio F. Barbosa (Orgs.). Currículo na contemporaneidade: incertezas e desafios. São Paulo: Cortez, 2012.
COSTA, Maria. V. A pesquisa-ação na sala de aula e o processo de significação. In: SILVA, Luiz. H. (Org.). A escola cidadã no contexto da globalização, Petrópolis, RJ: Vozes, 2001, p. 239-256.
DARDOT, Pierre.; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. São Paulo: Paz & Terra, 2018.
ERICKSON, Frederick. Métodos cualitativos de investigación sobre la enseñanza. In: WITTROCK, Merlin. C. La investigación de la enseñanza II. Ediciones Barcelona-Buenos Aires-Mexico: Paidós, 1989, p. 195-301.
ESCOSTEGUY, Ana C. Estudos culturais: uma introdução. In: SILVA, Tomaz T. (Org.) O que é, afinal, estudos culturais? Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 133-166.
FACCI, Marilda G. D. Valorização ou esvaziamento do trabalho do professor?: um estudo crítico-comparativo da teoria do professor reflexivo, do construtivismo e da psicologia vigotskiana. Campinas, SP: Autores Associados, 2024.
FAZENDA, Ivani C. A. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria, São Paulo: Loyola, 1995.
FERREIRA, Windyz B. O conceito de diversidade no BNCC: relações de poder e interesses ocultos. Revista Retratos da Escola, Brasília, DF, v. 9, n. 17, p. 299-319, jul./dez. 2015. Disponível em: http//www.esforce.org.br
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2011.
FRIGOTTO, Gaudêncio. A interdisciplinaridade como necessidade e como problema nas ciências sociais. In: JANTSCH, Paulo A.; BIANCHETTI, Lucídio (Orgs.). Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008, p. 25- 49.
GARCIA, Regina L. Descolonizando o currículo na busca de uma qualidade-outra. In: PARAÍSO, Marlucy A.; VILELA, Rita A.; SALES, Shirlei R. Desafios contemporâneos sobre currículo e escola básica. Curitiba: CRV, 2012, p. 127-139.
HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.
HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. São Paulo: Paz e Terra, 2008.
HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho, Porto Alegre: Artmed, 1998.
LACLAU, Ernesto. Emancipação e diferença. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2011.
LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Nº 19, jan/fev/mar/abr, 2002, p.20-28. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&lang=pt Acesso: 06 set. 2024
LARROSA, Jorge; SKLIAR, Carlos (Orgs.). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
LAVAL, Christian. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. Londrina, PR: Planta, 2004.
LENOIR, Yves.; LAROSE, François. Uma tipologia das representações e das práticas da interdisciplinaridade entre os professores primários do Quebec. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, n. 192, v. 79, Brasília, MEC/INEP, p. 48-59, 1998.
LINHARES, Célia.; SILVA, Waldeck C. Formação de professores: travessia crítica de um labirinto legal. Brasília, DF: Plano. 2003.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 2014.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2018.
NEGRI, Stefania R.; SOUZA, Maria Inez. S. Afinal, existe um currículo democrático? 31ª Reunião Anped, 2008. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/31ra/1trabalho/GT12-4338--Int.pdf. Acesso: 06abr. 2022.
ONER, Ilknur. Multiculturalismo/MulticulturalismIn. In: TOMÁS, Catarina et al (eds.). Conceitos-chave em sociologia da infância/Key concepts on sociology of childhood. Braga, PT: UMinho Editora, 2021, p. 361-368. Disponível em: https://ebooks.uminho.pt/index.php/uminho/catalog/view/36/113/1187. Acesso em: 01fev. 2026.
PARO, Vitor, H. Políticas educacionais: considerações sobre o discurso genérico e a abstração da realidade. In: DOURADO, Luis F.; PARO, Vitor H. (Orgs.). Políticas públicas & educação básica. São Paulo: Xamã, 2001, p. 121-139.
PEREIRA, Antonio S. E por falar em educação... ensino, formação e gestão. Criciúma, SC: Ediunesc, 2014.
PEREIRA, Antonio S. Currículo e identidades culturais: patologização e emancipação. In: PEREIRA, Antonio S. (Org.). Educação no contexto que se move: saberes, experiências e reflexões. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022, p. 128-148.
SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
SANTOMÉ, Jurjo T. As culturas negadas e silenciadas no currículo. In: SILVA, Tomaz T. (Org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013, p.159-177.
SILVA, Tomaz T. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
VEIGA, Ilma P. A. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva. In: VEIGA, Ilma P. A. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas, SP: Papirus, 2002, p. 11-35.
VEIGA-NETO, Alfredo. Incluir para excluir. In: LAROSA, Jorge; SKLIAR, Carlos (Orgs.). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Belo Horizonte: Autêntica, 2011, p. 105-118.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Antonio Serafim Pereira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista, desde que adpatado ao template do repositório em questão;
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
- Os autores são responsáveis por inserir corretamente seus dados, incluindo nome, palavras-chave, resumos e demais informações, definindo assim a forma como desejam ser citados. Dessa forma, o corpo editorial da revista não se responsabiliza por eventuais erros ou inconsistências nesses registros.
POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
Obs: todo o conteúdo do trabalho é de responsabilidade do autor e orientador.
