SÍNDROME DE BURNOUT NA FORMAÇÃO EM SAÚDE: O CUSTO OCULTO DA ROTINA ACADÊMICA
DOI:
https://doi.org/10.66104/vwbxc320Palavras-chave:
Educação Superior, Esgotamento Profissional, Estresse Psicológico, Estudantes de Ciências da Saúde, Saúde MentalResumo
O Burnout Discente (BD) é uma forma de esgotamento que atravessa a a formação superior em saúde, especialmente em contextos marcados por sobrecarga curricular, pressão por desempenho e naturalização do sofrimento psíquico. Nos cursos da área da saúde, esse debate adquire especial relevância para descrever formas persistentes de exaustão, descrença e redução da eficácia entre estudantes submetidos a demandas acadêmicas prolongadas. Este estudo objetivou analisar fatores associados, repercussões e possibilidades de prevenção do burnout em estudantes da área da saúde. Realizou-se uma revisão integrativa, orientada pela estratégia PICo, com buscas nas bases PubMed, Scopus e Web of Science. Consideraram-se publicações em português e inglês entre 2009 e janeiro de 2026. Após triagem em etapas sucessivas, inspirada no fluxograma PRISMA, 32 estudos compuseram a síntese narrativa. As repercussões mais recorrentes indicam sofrimento psíquico, índices elevados de despersonalização, piora da qualidade de vida, descrença em relação ao curso, barreiras para buscar ajuda e prejuízos potenciais ao processo formativo, como indicadores que se expandem para além do ambiente laboral e emergem de um arranjo pedagógico e institucional que combina carga horária intensa, competição, insegurança quanto ao futuro profissional e fragilidade das redes de apoio. A discussão sugere que o ensino superior em saúde opera como uma engrenagem patogênica: currículos extensos, competitividade extrema e idealizações heroicas da profissão corroem o bem-estar antes mesmo da inserção no mercado de trabalho. A literatura aponta que intervenções individuais, como atividade física, psicoterapia e práticas de atenção plena, podem atenuar sintomas, mas têm alcance limitado. Conclui-se que enfrentar o burnout discente exige deslocar o foco da culpabilização individual para a responsabilidade institucional na produção, prevenção e manejo do sofrimento acadêmico e ir além de soluções individuais e medicalizantes, demandando o fortalecimento de estratégias de coping resiliente, o reconhecimento do direito à desconexão e reformas curriculares institucionais que inscrevam a saúde mental como eixo estruturante da formação.
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