TECNOLOGIAS SOCIAIS E ELETRIFICAÇÃO RURAL EM MOÇAMBIQUE: UMA ANÁLISE DE SISTEMAS SOLARES DESCENTRALIZADOS
DOI:
https://doi.org/10.66104/pg3vpn54Palavras-chave:
Eletrificação Rural; Sistemas Solares Descentralizados; Tecnologias Sociais; Justiça Energética; Moçambique.Resumo
O acesso universal à energia elétrica é um pilar fundamental para o desenvolvimento socioeconômico, conforme preconizado pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 7. Em Moçambique, a dispersão populacional e os elevados custos de expansão da rede convencional tornam os sistemas descentralizados alternativas estratégicas. Este artigo tem como objetivo avaliar a viabilidade técnica, social e econômica de três modelos de eletrificação solar descentralizada em comunidades rurais moçambicanas: mini-redes com usos produtivos, sistemas domésticos (SHS) com pagamento parcelado (PAYGO) e modelos híbridos. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e análise documental, utilizando uma matriz multidimensional fundamentada nos conceitos de tecnologias sociais e justiça energética. Os resultados indicam que, embora as mini-redes potencializem usos produtivos e renda local, exigem alto investimento inicial. Já os sistemas SHS PAYGO promovem uma inclusão rápida e acessível, mas apresentam limitações de potência. O modelo híbrido revelou-se a solução mais equilibrada para promover a equidade territorial. Conclui-se que a eficácia desses sistemas como tecnologias sociais depende da integração de mecanismos de participação comunitária, regulação favorável e foco na justiça energética para superar desigualdades históricas e promover o desenvolvimento local sustentável.
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