ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E MUDANÇA DO MODELO ASSISTENCIAL: O PAPEL DO ACOLHIMENTO NA PRODUÇÃO DE VÍNCULO E RESOLUTIVIDADE
DOI:
https://doi.org/10.66104/sfykfy94Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde; , Acolhimento;, Vínculo;, Resolutividade;, Humanização em SaúdeResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica na organização dos sistemas de saúde orientados pelos princípios da universalidade, integralidade, equidade, longitudinalidade e coordenação do cuidado. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), o acolhimento destaca-se como um dos principais dispositivos para reorientação do modelo assistencial, ao ultrapassar a lógica da triagem burocrática e afirmar-se como prática ética, relacional e organizacional voltada à escuta qualificada, responsabilização e resposta oportuna às necessidades dos usuários. Este estudo teve como objetivo analisar criticamente o papel do acolhimento na APS como dispositivo de mudança do modelo assistencial, com ênfase em sua contribuição para a produção de vínculo e resolutividade. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e caráter descritivo-analítico, fundamentada em produções científicas e documentos institucionais sobre acolhimento, humanização, vínculo, resolutividade e organização do processo de trabalho na APS. Os achados demonstram que o acolhimento, quando incorporado de forma estruturada ao cotidiano das equipes, favorece ampliação do acesso, fortalecimento do vínculo, melhoria da continuidade do cuidado, maior coordenação assistencial e respostas mais resolutivas às necessidades individuais e coletivas. Por outro lado, persistem desafios relacionados à fragmentação dos serviços, à precarização do trabalho, à rigidez organizacional, à insuficiente articulação em rede e às desigualdades socioestruturais que limitam a potência transformadora dessa prática. Conclui-se que o acolhimento constitui dispositivo central para a mudança do modelo assistencial na APS, desde que sustentado por qualificação profissional, reorganização dos processos de trabalho, fortalecimento da gestão do cuidado e estratégias multinível capazes de integrar dimensões subjetivas, organizacionais e estruturais do sistema de saúde.
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