DESAFIOS DA PRÁTICA DA CRÍTICA DE CINEMA NO AMAZONAS
DOI:
https://doi.org/10.66104/37vke324Palavras-chave:
Crítica de cinema, Amazonas, Jornalismo CulturalResumo
O artigo analisou desafios da prática da crítica de cinema no Amazonas, com foco na atuação de críticos vinculados à Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) no Estado. Partindo da compreensão da crítica como prática discursiva e forma de mediação cultural, é analisado em que medida fatores estruturais, profissionais e simbólicos condicionam sua produção, circulação e legitimação em um contexto regional marcado por desigualdades históricas. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, baseada na realização de entrevistas semiestruturadas com críticos atuantes no Amazonas, analisadas a partir do método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Resultados indicam que a prática no Estado é atravessada por limitações de acesso a obras audiovisuais, fragilidade de infraestrutura cultural, precarização de condições de trabalho e dificuldades de inserção em circuitos de visibilidade. No plano simbólico, destacam-se desafios de construção da autoridade e reconhecimento profissional, agravados por dinâmicas do ambiente digital e pela centralização do campo cultural brasileiro. Apesar dessas limitações, o setor desenvolve estratégias de adaptação e resistência, como o uso de plataformas digitais, a diversificação de formatos e a articulação em redes colaborativas. Conclui-se que a crítica de cinema no Amazonas não se configura como prática em declínio, mas em processo de reconfiguração marcado por limitações estruturais e possibilidades de reinvenção. O estudo contribui para ampliar o debate sobre a crítica cinematográfica no Brasil ao evidenciar a importância de considerar especificidades regionais na análise.
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