ÓLEO ESSENCIAL DE Origanum vulgare L. COMO LARVICIDA NATURAL: PERFIL QUÍMICO E EFICÁCIA FRENTE A Aedes aegypti L.
DOI:
https://doi.org/10.66104/2a3b3x69Palavras-chave:
Arboviroses, Artemia salina, Orégano, TerpenosResumo
As arboviroses transmitidas por Aedes aegypti representam um dos principais desafios de saúde pública em regiões tropicais, especialmente no Brasil, onde fatores ambientais e urbanos favorecem a proliferação do vetor. Nesse contexto, o uso de produtos naturais, como óleos essenciais, tem sido investigado como alternativa sustentável aos inseticidas sintéticos. O presente estudo teve como objetivo avaliar a composição química, a atividade larvicida e a toxicidade do óleo essencial de Origanum vulgare L. coletado na Amazônia Legal frente a Aedes aegypti. O óleo essencial foi obtido por hidrodestilação em aparelho de Clevenger e analisado por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). A atividade larvicida foi determinada em larvas de terceiro estádio de A. aegypti seguindo metodologia da Organização Mundial da Saúde, enquanto a toxicidade foi avaliada pelo bioensaio com Artemia salina. O rendimento do óleo essencial foi de 1,9%, com predominância de monoterpenos (93,03%), destacando-se terpinoleno (27,89%), γ-terpineno (19,03%), carvacrol (14,28%) e terpinen-4-ol (13,75%). O óleo apresentou atividade larvicida relevante, com CL₅₀ de 95,6 µg/mL e CL₉₀ de 254,7 µg/mL, indicando potencial para controle do vetor. Entretanto, o bioensaio de toxicidade indicou CL₅₀ de 76,6 µg/mL para A. salina, classificando o óleo como altamente tóxico para esse organismo. Os resultados demonstram que o óleo essencial de O. vulgare possui potencial como agente larvicida natural, embora estudos adicionais de segurança ecológica sejam necessários para avaliar sua aplicação em programas de controle vetorial.
Downloads
Referências
ADAMS, R. P. Identification of essential oil components by gas chromatography/quadrupole mass spectroscopy. 4. ed. Carol Stream: Allured Publishing Corporation, 2006.
ALI, A. et al. Chemical composition and biological activity of four Salvia essential oils and individual compounds against two species of mosquitoes. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 63, p. 447–456, 2015. https://doi.org/10.1021/jf504976f. DOI: https://doi.org/10.1021/jf504976f
ALJAMEELI, M. Larvicidal effects of some essential oils against Aedes aegypti (L.), the vector of dengue fever in Saudi Arabia. Saudi Journal of Biological Sciences, v. 30, n. 2, p. 103552, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.sjbs.2022.103552
BAĞDAT, R. B. The biomass and essential oil production of oregano hybrids cultivated under Central Anatolian climatic conditions. Ciência Rural, Santa Maria, v. 54, n. 3, e20220538, 2024. http://doi.org/10.1590/0103-8478cr20220538. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20220538
BRASIL. Farmacopeia Brasileira. 6. ed. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2019. v. 1-2.
DIAS, C. N.; MORAES, D. F. C. Essential oils and their compounds as Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae) larvicides: review. Parasitology Research, v. 113, p. 565–592, 2014. DOI: https://doi.org/10.1007/s00436-013-3687-6
DIAS, C. N. et al. Chemical composition and larvicidal activity of essential oils extracted from Brazilian Legal Amazon plants against Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae). Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2015, p. 1–8, 2015. DOI: https://doi.org/10.1155/2015/490765
DOLABELA, M. F. Triagem in vitro para a atividade antitumoral e anti-Trypanosoma cruzi de extratos vegetais, produtos naturais e substâncias sintéticas. 1997. Tese – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1997.
FREIRE, C. S. et al. Comparative evaluation of the volatile profile of the essential oil, the hydrolate and the plant material from Origanum vulgare subsp. virens grown in Portugal. Foods, Basel, v. 14, n. 24, p. 4175, 2025. https://doi.org/10.3390/foods14244175. DOI: https://doi.org/10.3390/foods14244175
GOBBO-NETO, L.; LOPES, N. P. Plantas medicinais: fatores de influência no conteúdo de metabólitos secundários. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 374–381, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-40422007000200026. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-40422007000200026
HOU, H. et al. Effects of Origanum vulgare essential oil and its two main components, carvacrol and thymol, on the plant pathogen Botrytis cinerea. PeerJ, v. 8, e9626, 2020. DOI: https://doi.org/10.7717/peerj.9626. DOI: https://doi.org/10.7717/peerj.9626
HUANG, H.-T. et al. Phytochemical composition and larvicidal activity of essential oils from herbal plants. Planta, v. 250, p. 59–68, 2019. https://doi.org/10.1007/s00425-019-03147-w. DOI: https://doi.org/10.1007/s00425-019-03147-w
KOMALAMISRA, N. et al. Screening for larvicidal activity in some Thai plants against four mosquito vector species. Southeast Asian Journal of Tropical Medicine and Public Health, v. 36, n. 6, p. 1412–1422, 2005.
LEE, D. C.; AHN, Y. J. Laboratory and simulated field bioassays to evaluate larvicidal activity of Pinus densiflora hydrodistillate and related compounds against mosquito species. Insects, v. 4, p. 217–229, 2013. https://doi.org/10.3390/insects4020217. DOI: https://doi.org/10.3390/insects4020217
LETACIO, C. et al. Dengue as a disease threatening global health: a narrative review focusing on Latin America and Brazil. Tropical Medicine and Infectious Disease, v. 8, n. 5, p. 241, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/tropicalmed8050241
LEYVA-LÓPEZ, N. et al. Essential oils of oregano: biological activity beyond their antimicrobial properties. Molecules, v. 22, n. 6, p. 989, 2017. https://doi.org/10.3390/molecules22060989. DOI: https://doi.org/10.3390/molecules22060989
LUZ, T. R. S. A. et al. Seasonal variation in the chemical composition and biological activity of the essential oil of Mesosphaerum suaveolens (L.) Kuntze. Industrial Crops and Products, v. 153, p. 112600, 2020a. DOI: https://doi.org/10.1016/j.indcrop.2020.112600
LUZ, T. R. S. A. et al. Essential oils and their chemical constituents against Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae) larvae. Acta Tropica, v. 212, p. 105705, 2020b. DOI: https://doi.org/10.1016/j.actatropica.2020.105705
LUZ, T. R. S. A. et al. Seasonal variation in the chemical composition and larvicidal activity against Aedes aegypti L. of essential oils from Brazilian Amazon. Experimental Parasitology, v. 243, p. 108405, 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.exppara.2022.108405
MALTA, J. M. A. S. et al. Síndrome de Guillain-Barré e outras manifestações neurológicas possivelmente relacionadas à infecção pelo vírus Zika em municípios da Bahia, 2015. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 26, n. 1, p. 9–18, 2017. DOI: https://doi.org/10.5123/S1679-49742017000100002
MEYER, B. N. et al. Brine shrimp: a convenient general bioassay for active plant constituents. Planta Medica, v. 45, n. 5, p. 31–34, 1982. DOI: https://doi.org/10.1055/s-2007-971236
MARTINS, G. et al. Chemical profile, bactericidal in vitro potential and toxicity against Artemia salina Leach of essential oils obtained from natural condiments. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, e58310212898, 2021. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i2.12898. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i2.12898
MUNIZ, A. P. S. et al. Alternativas genéticas no controle das arboviroses: revisão sistemática. Observatorio de la Economía Latinoamericana, v. 22, n. 5, p. e4452, 2024. DOI: https://doi.org/10.55905/oelv22n5-008
NIST. Mass spectral library (NIST/EPA/NIH). Gaithersburg: National Institute of Standards and Technology, 2005.
PEREIRA, R. et al. Chemical constituents and larvicide potential against Aedes aegypti of the essential oil of Origanum vulgare L. Research, Society and Development, v. 10, n. 9, e9910917683, 2021. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i9.17683. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i9.17683
PEREIRA SERRA, O. et al. Mayaro virus and dengue virus 1 and 4 natural infection in culicids from Cuiabá, Mato Grosso, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 111, n. 1, p. 20–29, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/0074-02760150270
RUIZ, A. L. T. G. et al. Avaliação da atividade tóxica em Artemia salina e Biomphalaria glabrata de extratos de quatro espécies do gênero Eleocharis (Cyperaceae). Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 15, n. 2, p. 98–102, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-695X2005000200005
SILVA, C. X. R.; BELFORT, M. G. S.; SALLET, L. A. P. Plantas medicinais no cerrado tocantinense. 1. ed. Palmas: UNITINS, 2024.
SILVA, M. F. R. et al. Composition and biological activities of the essential oil of Piper corcovadensis (Miq.) C. DC (Piperaceae). Experimental Parasitology, v. 165, p. 64–70, 2016. https://doi.org/10.1016/j.exppara.2016.03.017. DOI: https://doi.org/10.1016/j.exppara.2016.03.017
TABANCA, N. et al. Comparative investigation of Umbellularia californica and Laurus nobilis leaf essential oils and identification of constituents active against Aedes aegypti. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 61, p. 12283–12291, 2013. https://doi.org/10.1021/jf4052682. DOI: https://doi.org/10.1021/jf4052682
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines for laboratory and field testing of mosquito larvicides. Geneva: WHO, 2005.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Tássio Rômulo Silva Araújo Luz, Maria Fernandes Nunes Silva Lima, Sarah de Sousa Moreira, Maria Vitória Vanderlei de Alencar Soares, Ricardo Barbosa de Sousa, Lucas da Costa Carvalho, José Antônio Costa Leite, Milena Martins Máximo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista, desde que adpatado ao template do repositório em questão;
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
- Os autores são responsáveis por inserir corretamente seus dados, incluindo nome, palavras-chave, resumos e demais informações, definindo assim a forma como desejam ser citados. Dessa forma, o corpo editorial da revista não se responsabiliza por eventuais erros ou inconsistências nesses registros.
POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
Obs: todo o conteúdo do trabalho é de responsabilidade do autor e orientador.
