COLELITÍASE EM PACIENTES APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA:REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.66104/k7tssa54Palavras-chave:
obesidade; colelitíase; cirurgia bariátricaResumo
A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal capaz de comprometer a saúde, sendo classificada segundo o IMC em eutrofia (18–24,9 kg/m²), sobrepeso (25–29,9 kg/m²) e obesidade grau I a III (≥30 kg/m²). Desde 1975, sua prevalência mundial triplicou, afetando mais de 1 bilhão de pessoas. A cirurgia bariátrica é uma alternativa eficaz para pacientes refratários a tratamentos conservadores. A doença biliar não neoplásica, incluindo a colelitíase, é uma complicação frequente no pós-operatório bariátrico, resultante de múltiplos mecanismos litogênicos, como rápida perda de peso, aumento da liberação de colesterol e lipídios dos adipócitos e redução do IMC pré-operatório ≥25%. O objetivo deste estudo foi analisar, por meio de revisão da literatura, a relação entre a doença biliar não neoplásica e a obesidade, enfatizando os fatores de risco, os mecanismos fisiopatológicos e a indicação de colecistectomia concomitante à cirurgia bariátrica. Foram selecionados 20 artigos, publicados a partir de 2003, obtidos nas bases PubMed, SciELO e LILACS, com os descritores bariatric, cholelithiasis e obesity. A incidência de colelitíase pós-bariátrica variou de 1,4% a 55,5%, com maior risco em mulheres, pacientes com rápida perda de peso, multiparidade ou uso de contraceptivos orais. Fatores protetores incluem idade avançada, uso de estatinas e profilaxia com ácido ursodeoxílico. A colelitíase tende a ocorrer nos seis primeiros meses pós-cirurgia, sendo mais frequente após bypass gástrico. A colecistectomia concomitante é considerada segura, indicada especialmente para pacientes com cálculos biliares pré-existentes.
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