PROJETO EXTENSIONISTA “UMA MÃO LAVA A OUTRA”: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, LOGÍSTICA REVERSA E FORMAÇÃO EM ENGENHARIA (2020–2025)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.66104/twttyf31

Palavras-chave:

Extensão universitária; Óleo de cozinha usado; Sabão biodegradável; Educação ambiental; Formação do engenheiro; Logística reversa; Economia circular.

Resumo

O descarte inadequado de óleo de cozinha usado configura-se como um desafio relevante e frequentemente negligenciado no contexto do saneamento básico brasileiro, uma vez que cada litro lançado em pias ou corpos hídricos possui potencial de contaminar até 25.000 litros de água, comprometendo ecossistemas aquáticos, elevando os custos de tratamento e intensificando a crise hídrica. Nesse cenário, apresenta-se um relato de experiência aprofundado do Projeto “Uma Mão Lava a Outra”, iniciativa extensionista da Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade João Monlevade, em operação contínua desde março de 2020, com discussão de sua trajetória, resultados quantitativos e qualitativos e contribuições para a formação de estudantes de Engenharia. A investigação adota abordagem qualitativo-descritiva, fundamentada em análise documental, registros operacionais sistematizados e reflexão teórica ancorada na educação ambiental transformadora, na aprendizagem experiencial, no framework CDIO e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Engenharia. Ao longo de seis anos de operação, entre 2020 e 2025, o projeto coletou mais de 18.400 litros de óleo de cozinha usado, volume equivalente à proteção aproximada de 460 milhões de litros de água, produziu cerca de 17.700 litros de sabão biodegradável, promoveu 47 workshops com participação superior a 1.200 pessoas e beneficiou até 15 instituições mensalmente. Em 2024, 513 litros de sabão foram destinados ao estado do Rio Grande do Sul em resposta às enchentes, evidenciando o alcance social da iniciativa. O projeto também foi replicado pela Prefeitura de Nova Era, Minas Gerais, e recebeu Moção de Aplausos da Câmara Municipal de João Monlevade. Os resultados demonstram que a extensão universitária, quando articulada ao ensino e à pesquisa, constitui instrumento efetivo de formação profissional humanizada, de intervenção socioambiental mensurável e de produção de conhecimento aplicado, configurando-se como modelo replicável para cursos de Engenharia que buscam operacionalizar a tríade acadêmica em torno de problemáticas ambientais locais.

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Biografia do Autor

  • Agostinho Ferreira, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Professor de Física do ensino superior na Universidade do Estado de Minas Gerais, atuando na Unidade Acadêmica de João Monlevade, desenvolvendo atividades integradas de ensino, pesquisa e extensão na área de Ensino de Física. Graduado em Física pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1998) e mestre pela Universidade de São Paulo (2001). Atua na linha de pesquisa em Ensino de Ciências, com ênfase em aprendizagem significativa, avaliação diagnóstica e desenvolvimento de estratégias didáticas baseadas em metodologias ativas. Desenvolve e aplica instrumentos de pré e pós-teste, rubricas analíticas e abordagens fundamentadas em evidências para investigar a evolução conceitual dos estudantes. Possui experiência na integração de atividades experimentais de baixo custo, recursos visuais e modelagem conceitual como ferramentas para a superação de concepções alternativas.Coordena e participa de projetos de extensão universitária com impacto social e educacional, articulando ensino de Física e educação ambiental, com foco em práticas de sustentabilidade e logística reversa em parceria com escolas e comunidade. Possui interesse em investigação aplicada ao ensino superior, com foco na melhoria da aprendizagem em cursos de engenharia

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Publicado

2026-04-29

Como Citar

PROJETO EXTENSIONISTA “UMA MÃO LAVA A OUTRA”: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, LOGÍSTICA REVERSA E FORMAÇÃO EM ENGENHARIA (2020–2025). (2026). REMUNOM, 13(08), 1-24. https://doi.org/10.66104/twttyf31