EFEITOS DO LED VERMELHO NO MANEJO DA DERMATITE ATÓPICA

Autores

  • Marielle Lohane Rocha Araujo Alves Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, Brasil
  • Brenda Alves Matos Amaral Sampaio Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, Brasil https://orcid.org/0000-0001-7510-9877

DOI:

https://doi.org/10.66104/67ka1n31

Palavras-chave:

Dermatite Atópica; Fotobiomodulação; LED vermelho; Qualidade de vida; Terapia por luz de baixa intensidade; Barreira cutânea.

Resumo

A Dermatite Atópica (DA) é uma dermatose inflamatória crônica de caráter recorrente-remitente, cuja fisiopatologia envolve disfunção da barreira cutânea, desregulação imunológica mediada por linfócitos Th2 e fatores ambientais e genéticos. No contexto brasileiro, a condição afeta até 24% das crianças em centros urbanos nordestinos, configurando relevante problema de saúde pública. A fotobiomodulação (FBM) com Diodo Emissor de Luz (LED) vermelho, na faixa espectral de 610 a 760 nm, emerge como alternativa terapêutica segura, não invasiva e de baixo custo, com potencial anti-inflamatório e regenerador da barreira cutânea documentado em evidências científicas recentes. Este estudo tem como objetivo analisar os efeitos terapêuticos do LED vermelho no manejo clínico da dermatite atópica, avaliando os mecanismos de ação celulares e moleculares, os parâmetros clínicos de uso empregados nos estudos e sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes no contexto brasileiro. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, estruturada em seis etapas conforme o protocolo PRISMA 2020, com questão norteadora elaborada segundo o acrônimo PICO. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, Science Direct, SciELO e Google Acadêmico, com descritores combinados por operadores booleanos AND e OR, abrangendo publicações de 2021 a 2026 em inglês, português e espanhol. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada por meio dos Níveis de Evidência do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine (OCEB). Foram selecionados 17 estudos, categorizados em três eixos analíticos: efeitos bioquímicos e celulares do LED vermelho (síntese de ATP mitocondrial, estimulação de fibroblastos, produção de colágeno e modulação de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β, IL-10 e TNF-α); parâmetros clínicos de uso (densidade de energia, tempo de exposição, frequência de sessões e potência); e comparações com outras modalidades terapêuticas regenerativas, sobretudo o laser de baixa potência. Os achados convergem para a eficácia do LED vermelho na redução do prurido, na modulação inflamatória, na restauração das junções oclusivas epidérmicas e na estimulação da síntese de colágeno dérmico. Conclui-se que o LED vermelho demonstrou efeitos terapêuticos clinicamente relevantes no manejo da DA, constituindo opção segura, acessível e não invasiva. A heterogeneidade metodológica entre os estudos aponta para a necessidade urgente de protocolos padronizados, especialmente considerando a diversidade de fototipos da população brasileira.

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Biografia do Autor

  • Brenda Alves Matos Amaral Sampaio, Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, Brasil

    Brenda Alves Matos Amaral Sampaio
    Fisioterapeuta, docente do curso tecnólogo em Estética e Cosmética - UNIFSA

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Publicado

2026-05-06

Como Citar

EFEITOS DO LED VERMELHO NO MANEJO DA DERMATITE ATÓPICA. (2026). REMUNOM, 13(08), 1-30. https://doi.org/10.66104/67ka1n31