PARÂMETROS DESCRITIVOS PRELIMINARES PARA COMPOSIÇÃO CORPORAL E ÂNGULO DE FASE EM ATLETAS DE ATLETISMO DA AMAZÔNIA BRASILEIRA: UM ESTUDO TRANSVERSAL
DOI:
https://doi.org/10.66104/pfhzcq67Palavras-chave:
Antropometria; Desempenho Atlético; Impedância Bioelétrica; Ângulo de Fase; AtletismoResumo
A avaliação da composição corporal e a determinação do ângulo de fase (AF) têm sido amplamente reconhecidas como ferramentas fisiologicamente significativas para a análise do rendimento esportivo e da condição de saúde. Entretanto, dados descritivos específicos por modalidade para atletas de atletismo da Amazônia brasileira permanecem escassos. Objetivo: Descrever e comparar parâmetros descritivos preliminares de composição corporal e ângulo de fase em atletas de velocidade e resistência do estado do Amapá, Brasil, estratificados por faixa etária e categoria de prova. Métodos: Estudo observacional transversal com 46 atletas (≥14 anos) filiados à Federação de Atletismo do Amapá. Foram obtidas medidas antropométricas (massa corporal, estatura), composição corporal mensurada por meio de dobras cutâneas em oito sítios anatômicos (subescapular, tríceps, bíceps, axilar média, supra-ilíaca, abdominal, coxa e panturrilha)e bioimpedância elétrica octapolar multifrequência com equações preditivas específicas por idade para massa livre de gordura aplicadas automaticamente pelo software do equipamento conforme a idade cronológica do participante — Gonzalez et al. (2019) para adultos (≥19 anos) e Costa et al. (2022) para adolescentes (14–18 anos), ambas validadas para a população brasileira, e AF, todas obtidas por protocolos padronizados. Os participantes foram estratificados em duas faixas etárias (14–18 anos; ≥19 anos) e duas categorias de prova (velocidade; resistência). A análise estatística compreendeu medidas descritivas (Q1, Q2, Q3, média ± DP), teste de normalidade de Shapiro-Wilk, e testes t de Student para amostras independentes (α = 0,05). Resultados: Atletas adultos de velocidade apresentaram maior percentual de massa magra (LM%) e menor percentual de gordura corporal (BF%) que atletas de resistência (p = 0,013). O índice de massa corporal (IMC) foi maior em adultos do que em adolescentes em ambas as categorias de prova (p ≤ 0,006). Atletas adultos de velocidade apresentaram AF total, AF de membros superiores (ULPA) e AF de membros inferiores (LLPA) maiores que atletas de resistência (p ≤ 0,003). Conclusões: Estes parâmetros descritivos preliminares podem subsidiar a identificação de talentos, a prescrição individualizada do treinamento e o monitoramento longitudinal da saúde de atletas regionais, embora sua utilização como referências normativas exija amostras maiores e estratificadas por sexo.
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