QUEIMA DE RESÍDUOS, SAÚDE E GOVERNANÇA LOCAL: LIMITES DA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM ÁREA DE VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL
DOI:
https://doi.org/10.66104/3cn6pc48Palavras-chave:
Poluição atmosférica, Saúde ambiental, Vulnerabilidade socioambiental, Resíduos sólidos, Políticas públicasResumo
A poluição atmosférica decorrente da queima de resíduos sólidos em lixões a céu aberto constitui um problema relevante de saúde pública, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade socioambiental. Este estudo tem como objetivo analisar os impactos da exposição à fumaça proveniente de queimadas em lixão sobre a saúde da população residente no entorno, bem como avaliar a atuação das instituições públicas envolvidas no enfrentamento do problema. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, com apoio de dados descritivos quantitativos, realizada no município de Itacoatiara. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários semiestruturados aplicados a moradores da área afetada, além de representantes da Unidade Básica de Saúde e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, permitindo a triangulação das informações. Os resultados evidenciam exposição frequente à fumaça, presença significativa de sintomas respiratórios, como tosse, falta de ar e irritação ocular, e impactos diretos no cotidiano dos moradores. Observou-se baixa procura por atendimento em saúde e ausência ou limitação de ações educativas percebidas pela população. Em contraste, as instituições relataram a realização de orientações e ações de controle, evidenciando uma discrepância entre o discurso institucional e a experiência comunitária. A análise indica que o problema não se restringe à presença do lixão, mas está associado a fragilidades na implementação territorial de políticas públicas, à baixa capilaridade das ações institucionais e à limitada articulação intersetorial. Conclui-se que a exposição à fumaça configura um risco ambiental e institucional, demandando estratégias integradas que articulem saúde, meio ambiente e gestão de resíduos, com ênfase na educação em saúde, no monitoramento contínuo e na efetividade das políticas públicas em contextos de vulnerabilidade.
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