CRIMINAL FACTIONS AS TERRORIST GROUPS: BETWEEN PENAL POPULISM AND THE NEUTRALIZATION OF THE ENEMY

Authors

  • Marcelo Carita Correra Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo
  • João Carlos Campanini Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-SP

DOI:

https://doi.org/10.66104/qbbvpx73

Keywords:

Criminal Organizations; Terrorism; Penal Populism; Sovereignty; Prevention.

Abstract

This article, developed through the logical-deductive method and built upon domestic and international literature, aims to analyze the proposal to classify criminal enterprise as terrorist groups. The research question addresses the legal viability of this change, as well as potential positive and negative effects, particularly regarding the effectiveness of state action and the measure's preventive impact. In addition to analyzing the current state of organized crime in Brazil, the development of this work required a definition of terrorism and an assessment of whether the legislative change might merely constitute penal populism without practical effects. The study revealed that, provided constitutional rules and the American Convention on Human Rights are respected—alongside the concept of terrorism derived from international customs and United Nations resolutions—the proposal can be implemented in Brazil through legislative amendments without the need for constitutional changes. Although there is populist exploitation of the proposal by politicians seeking to provide an immediate response to society, a natural phenomenon in any republican system based on indirect democracy, the utility and necessity is evident. The problem of organized crime, especially at its current stage within Brazilian society, cannot be addressed solely through improvements in social indicators and current criminal law, at the risk of weakening the State itself.

 

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

  • Marcelo Carita Correra, Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

    Pós-doutorando em Direito Público pelo Instituto de Altos Estudos de Pós-Doutorado da Università di Bologna, 2025 em andamento. Doutor em Direito Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2024). Mestre em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2021). Especialista em Direito Penal Econômico pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (2019). Especialista em Direito Imobiliário pela Escola Paulista de Direito (2016). Especialista em Direito Tributário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005). Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002). 

  • João Carlos Campanini, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-SP

    Advogado, Especialista em Direito Militar pelo Exército Brasileiro (UCB), Mestre em Direito Penal e Doutorando em Direito Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

References

ABI-ACKEL TORRES, Henrique. Política Criminal Contemporânea: o discurso populista na intervenção punitiva. Belo Horizonte: D’Plácido, 2020.

ACKERMAN, Bruce. Before The Next Attack: preserving civil liberties in the age of terrorism. New Haven: Yale University Press, 2006.

BOLDT, Raphael. Criminologia Midiática: do discurso punitivo à corrosão simbólica do garantismo. Curitiba: Juruá, 2013.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

BRASIL. [Congresso Nacional]. Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2500080. Acesso em: 25 abr. 2025.

BRASIL. Justiça Federal (Paraná). 13ª Vara Federal de Curitiba. Processo nº 5000465-76.2018.4.04.7005. Curitiba, 2018. Disponível em: https://consulta.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=50004657620184047005&selOrigem=PR. Acesso em: 12 fev. 2023.

BRASIL. Decreto nº 5.640, de 26 de dezembro de 2005. Promulga a Convenção Internacional para a Supressão do Financiamento do Terrorismo, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de 1999. Brasília, DF: Presidência da República, [2005]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 26 mar. 2026.

BRASIL. Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013. Define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal. Brasília, DF: Presidência da República, [2013]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm. Acesso em: 07 mar. 2023.

BRASIL. Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016. Regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13260.htm. Acesso em: 14 mar. 2026.

BRASIL. Lei nº 15.245, de 29 de outubro de 2025. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para dispor sobre o crime de associação criminosa, a Lei nº 12.694, de 24 de julho de 2012, para ampliar a proteção pessoal dos agentes públicos ou processuais envolvidos no combate ao crime organizado, e a Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, para tipificar as condutas de obstrução de ações contra o crime organizado e de conspiração para obstrução de ações contra o crime organizado. Brasília, DF: Presidência da República, [2025].

BRASIL. Lei nº 15.328, de 24 de março de 2026. Institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil (Lei Raul Jungmann); tipifica os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado; e altera os Decretos-Leis nºs 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), e as Leis nºs 8.072, de 25 de julho de 1990 (Lei dos Crimes Hediondos), 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), 11.343, de 23 de agosto de 2006, 10.826, de 22 de dezembro de 2003, 9.613, de 3 de março de 1998, 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral); 13.756, de 12 de dezembro de 2018; e 14.790, de 29 de dezembro de 2023. Brasília, DF: Presidência da República, [2026].

CARRANZA, Ambrosio Romero. El Terrorismo em la Historia Universal y em la Argentina. Buenos Aires: Ediciones Depalma, 1980.

CARVALHO, Salo de; FREIRE, Christiane Russomano. O Regime Disciplinar diferenciado: notas críticas à reforma do sistema punitivo brasileiro. Revista Transdisciplinar de Ciências Penitenciárias, Pelotas, v. 4, n. 1, p. 7-26, jan./dez. 2005.

CASTILHO, Fernanda Pascoal Valle Bueno de. O Princípio da Legalidade na Lei Antiterrorismo. Belo Horizonte: D’Plácido, 2019.

CERVINI, Raul. Incidencia de la “mass media” en la expansión del control penal en Latinoamérica. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 2, n. 6, 1994.

CHALIAND, Gérard; BLIN, Arnaud. The History of Terrorism from Antiquity to Al Qaeda. Tradução: Edward Schneider, Kathryn Pulver e Jesse Broner. Berkley: University of California Press, 2007.

CHOUKR, Fauzi Hassan. Bases para compreensão e crítica do direito emergencial. Mundo Jurídico, 2003. Disponível em: www.mundojuridico.adv.br/cgi-bin/upload/texto328.rtf. Acesso em: 25 ago. 2022.

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH). Comunicado de Imprensa n. 110/21: CIDH condena a destituição de magistradas e magistrados da Sala do Constitucional e do Procurador-Geral em El Salvador. Washington, DC, 3 maio 2021. Disponível em: https://www.oas.org/pt/cidh/jsForm/?File=/pt/cidh/prensa/notas/2021/110.asp. Acesso em: 28 mar. 2026.

CORRÊA, Hudson; BRITO, Diana. Rio sem Lei: como o Rio de Janeiro se transformou num estado sob o domínio de organizações criminosas, da barbárie e da corrupção política. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2018.

COUTINHO, Jacinto Nelson de Miranda; CARVALHO, Edward. Teoria das Janelas Quebradas: e se a Pedra vem de Dentro? Revista de Estudos Criminais, Porto Alegre, ano 3, n. 11, p. 23-29, 2003.

COUTINHO, Leonardo. Como o PCC se transformou no cartel de drogas brasileiro. Veja, São Paulo, ed. 2498, ano 49, n. 40, p. 84-97, out. 2016.

CURRIE, Elliot. Crime and Punishment in America. New York: First Owl, 1998.

DAHRENDORF, Ralf. Law and Order. Londres: Stevens & Sons, 1985.

DIAS, Camila Nunes; MANSO, Bruno Paes. A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil. São Paulo: Todavia, 2018.

EL SALVADOR. Corte Suprema de Justicia. Sala de lo Constitucional. Sentencia de Inconstitucionalidad 22-2007/42-2007/89-2007/111-2007/11-2015. San Salvador, 24 ago. 2015. Acesso em: 23 mar. 2026.

ESTADOS UNIDOS. [Congress]. International Emergency Economic Powers Act (IEEPA): 50 U.S.C. § 1701 et seq. Washington, DC: Government Printing Office, 1977. Disponível em: https://uscode.house.gov/. Acesso em: 26 mar. 2026.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. [Congress]. USA Patriot Act of 2001. Disponível em: https://epic.org/privacy/terrorism/hr3162.html. Acesso em: 06 ago. 2025.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Supreme Court. Pinkerton v. United States, 328 U.S. 640 (1946). Disponível em: https://www.law.cornell.edu/supremecourt/text/328/640. Acesso em: 17 mar. 2023.

EZELDIN, Ahmed. Terrorism and Political Violence: an Egyptian perspective. Chicago: University of Illinois at Chicago, 1987.

ESTADOS UNIDOS. [Congress]. United States Code: Title 18, Section 2331. Washington, DC: Government Printing Office, 2018. Disponível em: https://uscode.house.gov/. Acesso em: 26 mar. 2026.

ESTADOS UNIDOS. Executive Office of the President. Executive Order 13224 of September 23, 2001: Blocking Property and Prohibiting Transactions With Persons Who Commit, Threaten To Commit, or Support Terrorism. Washington, DC: Federal Register, 2001. Disponível em: https://www.archives.gov/federal-register/executive-orders/2001.html. Acesso em: 26 mar. 2026.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2025.

GLOBAL INITIATIVE AGAINST TRANSNATIONAL ORGANIZED CRIME. Global Organized Crime Index 2025. Geneva: GI-TOC, 2025. Disponível em: https://ocindex.net/. Acesso em: 21 mar. 2026.

HOFFMAN, Bruce. Inside Terrorism. Nova York: Columbia University Press, 2006.

KAZMIERCZAK, Luiz Fernando. Terrorismo: direito penal constitucional e os limites da criminalização. Curitiba: Juruá, 2017.

LOBÃO, Marcelo Meireles. Crime de conspiração: uma análise crítica do projeto de código penal. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Brasília, v. 26, n. 9/10, p. 11-28, set./out. 2014.

MARCUS, Paul. The Crime of Conspiracy Thrives in Decisions of the United States Supreme Court. Kansas Law Review, [s.l.], v. 64, p. 372-408, 2015. Disponível em: https://scholarship.law.wm.edu/facpubs/1797. Acesso em: 09 set. 2023.

MERTON, Robert; LAZARFELD, Paul. Comunicação de massa, gosto popular e a organização da ação social. In: LIMA, Luiz Costa (org.). Teoria da Cultura de Massa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000. p. 109-131.

O GLOBO. Tabela do tráfico na Rocinha: veja os valores das extorsões a moradores e comércio que vão da água ao mototáxi. Rio de Janeiro, 30 jan. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2024/01/30/tabela-do-trafico-na-rocinha-veja-os-valores-das-extorsoes-a-moradores-e-comercio-que-vao-da-agua-ao-mototaxi.ghtml. Acesso em: 23 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Assembléia Geral. Resolução 49/60, de 9 de dezembro de 1994. Disponível em: https://documents-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N95/768/19/PDF/N9576819.pdf. Acesso em: 21 mar. 2023.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Conselho de Segurança. Resolução nº 1368, de 12 de setembro de 2001. Disponível em: https://digitallibrary.un.org/record/448051?ln=es. Acesso em: 27 jun. 2022.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Conselho de Segurança. Resolução nº 1373, de 28 de setembro de 2001. Disponível em: https://www.unodc.org/pdf/crime/terrorism/res_1373_english.pdf. Acesso em: 27 jun. 2022.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Conselho de Segurança. Resolução 1566, de 8 de outubro de 2004. Disponível em: http:/unscr.com/en/resolutions/1566. Acesso em: 24 jun. 2022.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Global study on homicide 2023. [S.l.]: ONU, 2023. Disponível em: https://static.poder360.com.br/2023/12/Global_study_on_homicide_2023_web.pdf. Acesso em: 25 abr. 2025.

PARAGUAI. Consejo de Defensa Nacional (CODENA). Comunicado oficial sobre la designación de grupos criminales transnacionales como organizaciones terroristas. Asunción: Presidencia de la República, oct. 2025. Acesso em: 28 mar. 2026.

PAULIDO, Luis Alberto Villamarín. FARC: terrorismo na América do Sul. Brasília: Biblioteca do Exército, 2009.

PEREIRA, Maria Clara Hage. Infiltração Policial e Investigação da Criminalidade Organizada: garantismo e eficiência. 2022. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022.

PÉREZ, Carmen Lamarca. Tratamiento Jurídico del Terrorismo. Madrid: Centro de Publicaciones del Ministerio de Justicia, Secretaría General Técnica, 1985.

PFEIFFER, Christian. A demonização do mal. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 13, n. 52, p. 277-285, jan./fev. 2005.

SANTA TERRA JÚNIOR, João. A organização criminosa Primeiro Comando da Capital: análise das consequências penais da existência do PCC. 2017. 354 f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.

SAYRE, Francis B. Criminal Conspiracy. Harvard Law Review, [s.l.], v. 35, n. 4, p. 393-427, Feb. 1922. Disponível em: [link suspeito removido]. Acesso em: 08 set. 2023.

SILVA FRANCO, Alberto. Crimes Hediondos. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994.

SILVA SÁNCHEZ, Jesús-Maria. A Expansão do Direito Penal: aspectos da política criminal nas sociedades pós-industriais. Tradução: Luiz Otávio de Oliveira Rocha. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

TEIXEIRA, Ricardo Augusto de Araújo. Direito Penal de Emergência. 2. ed. Belo Horizonte: D’Plácido, 2017.

VAN SWAANINGEN, René. Public Safety and the Management of Fear. Theoretical Criminology, London, v. 9, n. 3, p. 289-330, 2005.

VARGAS, Jennifer. Crimes de Maio de 2006: os + de 500 assassinatos no revide aos ataques do PCC em São Paulo. São Paulo: Casa Flutuante, 2015.

VEIGA, Eduardo de Lima. Terrorismo e Direito Penal do Inimigo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2019.

VERVAELE, John A. E. A legislação anti-terrorista nos Estados Unidos: um direito penal do inimigo? Revista Eletrônica de Direito Penal e Política Criminal – UFRGS, Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 29-67, 2014. Tradução: Alexandra Krüger.

WILSON, James Q.; KELLING, George L. Broken Windows: the police and neighborhood safety. The Atlantic Monthly, [s.l.], v. 249, n. 3, p. 29-38, 1982. Disponível em: https://cdn.theatlantic.com/media/archives/1982/03/249-3/132638105.pdf. Acesso em: 14 mar. 2023.

Published

2026-03-30

How to Cite

CRIMINAL FACTIONS AS TERRORIST GROUPS: BETWEEN PENAL POPULISM AND THE NEUTRALIZATION OF THE ENEMY. (2026). REMUNOM, 13(04), 1-30. https://doi.org/10.66104/qbbvpx73