USO DA AYAHUASCA NO BRASIL: UMA ANÁLISE DE UMA DÉCADA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61164/ectfbd76

Palavras-chave:

Ayahuasca, Psicodélicos, Saúde mental, Medicina tradicional, Brasil

Resumo

A ayahuasca é uma bebida psicoativa de origem amazônica, tradicionalmente utilizada por povos indígenas e por religiões de matriz brasileira, cuja composição combina plantas ricas em N,N-dimetiltriptamina (DMT) e alcaloides β-carbolínicos. Nas últimas décadas, observa-se crescente interesse científico acerca de seus potenciais efeitos terapêuticos, especialmente no campo da saúde mental, bem como de seus riscos, implicações éticas e aspectos regulatórios. Este estudo teve como objetivo analisar criticamente a produção científica dos últimos dez anos sobre o uso da ayahuasca no Brasil. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS, BIREME e Google Acadêmico, incluindo artigos em português e inglês publicados entre 2015 e 2025. Foram analisados 46 artigos. Os resultados indicam evidências preliminares de efeitos antidepressivos rápidos, possíveis benefícios em transtornos por uso de substâncias e alterações neurobiológicas associadas à modulação de redes cerebrais. Entretanto, também foram identificados riscos físicos e psicológicos, limitações metodológicas importantes e lacunas no conhecimento científico. Conclui-se que, embora a ayahuasca apresente potencial terapêutico, seu uso demanda cautela, rigor científico e consideração dos contextos socioculturais e éticos envolvidos.

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Biografia do Autor

  • Marcos Lorran Paranhos Leão, Universidade Federal da Paraíba

    Médico pela Universidade de Pernambuco (UPE), médico residente em Medicina da Família e Comunidade pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), pós-graduando em Preceptoria Médica pela Faculdade Moinhos de Vento e em Medicina do Trabalho e Perícia Médica pela UNIFAHE. Possui ampla experiência em pesquisa científica, escrita acadêmica e apresentações em eventos. É autor e coautor de diversos artigos científicos publicados em revistas renomadas, capítulos de livros e trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais. Recebeu menções honrosas por contribuições científicas relevantes, como estudos sobre infecções sexualmente transmissíveis e impactos do SARS-CoV-2, bem como recebeu a láurea acadêmica da UPE. Com habilidades em comunicação, ensino e escrita acadêmica, alia a prática médica a uma visão estratégica voltada para inovação, planejamento e políticas públicas em saúde. Seus interesses incluem tecnologias de saúde, gestão estratégica de recursos e melhoria da qualidade de vida através de práticas baseadas em evidências.

  • Estácio Amaro da Silva Júnior, Universidade Federal da Paraíba

    Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba. Residência Médica em Psiquiatria pelo Hospital Dr. João Machado. Residência Médica em Psiquiatria da Infância e da Adolescência pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Títulos de Especialista em Psiquiatria e em Psiquiatria da Infância e da Adolescência pela Associação Médica Brasileira. Doutor em Neurociência Cognitiva e Comportamento pela Universidade Federal da Paraíba. Mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor e Coordenador do Curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba.

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Publicado

2025-12-28

Como Citar

USO DA AYAHUASCA NO BRASIL: UMA ANÁLISE DE UMA DÉCADA. (2025). Revista Multidisciplinar Do Nordeste Mineiro, 21(05), 1-15. https://doi.org/10.61164/ectfbd76