RECONSTRUÇÃO MANDIBULAR COM RETALHO LIVRE DE FÍBULA: RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.66104/6t5r3v44Palavras-chave:
Retalho de Fíbula; Reconstrução mandibular; Pré-placas; Transferência de tecido livre; Mandíbula.Resumo
Introdução: A reconstrução mandibular representa um dos maiores desafios da cirurgia reconstrutiva de cabeça e pescoço, especialmente em pacientes com osteorradionecrose, condição caracterizada por hipóxia tecidual, hipovascularidade e comprometimento severo dos mecanismos naturais de cicatrização. O retalho livre osteosseptocutâneo de fíbula consolidou-se como padrão ouro nesse cenário, oferecendo suprimento vascular intrínseco, comprimento ósseo adequado, possibilidade de osteotomias múltiplas e componente cutâneo confiável para reconstrução simultânea de partes moles. Objetivo: Relatar um caso de reconstrução mandibular com retalho livre osteosseptocutâneo de fíbula em paciente jovem com osteorradionecrose do corpo e ramo mandibular direito, descrevendo o planejamento pré-operatório, a técnica cirúrgica empregada e os resultados obtidos no período de seguimento de seis meses. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 34 anos, com histórico de carcinoma espinocelular de soalho bucal tratado com protocolo combinado de radioterapia e quimioterapia, dose total de 66 Gy, que evoluiu com osteorradionecrose do corpo e ramo mandibular direito aproximadamente dois anos após o término do tratamento oncológico. Após preparo clínico multidisciplinar com controle da infecção local, otimização nutricional e antibioticoterapia dirigida, a paciente foi submetida à ressecção do segmento mandibular comprometido e à reconstrução em segundo tempo com retalho livre osteosseptocutâneo de fíbula do membro inferior esquerdo. O planejamento operatório foi realizado com auxílio de modelo estereolitográfico tridimensional. O segmento ósseo obtido mediu 12 centímetros, com paleta cutânea de sete por quatro centímetros, modelado com duas osteotomias em cunha para reprodução do contorno mandibular. As anastomoses microvasculares foram realizadas com a artéria e veia faciais, com tempo de isquemia quente de 47 minutos. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências, com alta hospitalar no décimo oitavo dia. O seguimento de seis meses demonstrou integração óssea satisfatória, abertura bucal de 35 mm, mastigação funcional, fonação preservada e morbidade mínima do sítio doador. Conclusão: O retalho livre osteosseptocutâneo de fíbula mostrou-se uma opção segura e eficaz para a reconstrução mandibular em contexto de osteorradionecrose, com resultados funcionais e estéticos satisfatórios. O sucesso do procedimento esteve diretamente relacionado ao planejamento criterioso e ao suporte multidisciplinar perioperatório, reforçando que a qualidade dos resultados dessa modalidade reconstrutiva depende do conjunto de decisões adotadas em todas as etapas do tratamento.
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