DISCURSOS DE GÊNERO NAS CIÊNCIAS EXATAS: REPRESENTAÇÕES E INVISIBILIZAÇÃO DE MULHERES CIENTISTAS EM LIVROS DIDÁTICOS.
DOI:
https://doi.org/10.66104/77dray46Palavras-chave:
Livro didático; Ensino de Física; Gênero; Mulheres cientistas; Análise do discurso.Resumo
Este artigo apresenta um recorte de uma pesquisa qualitativa voltada à análise de livros didáticos de Física aprovados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático e destinados ao Ensino Médio das escolas públicas brasileiras. Parte-se da compreensão de que o livro didático não constitui apenas um recurso pedagógico, mas também um artefato cultural e discursivo capaz de produzir e reproduzir normas, valores e representações sociais. Nesse contexto, o estudo problematiza: de que modo a escrita da Física escolar produz marcadores de gênero em livros didáticos? Como mulheres cientistas são representadas discursiva e visualmente nesses materiais? De que maneira a organização textual, gráfica e histórica da Física contribui para a manutenção de discursos masculinizados e heteronormativos no ensino? O corpus de análise corresponde à obra Moderna Plus Física, de Nicolau, Torres e Penteado, volume único, 1ª edição, publicada em São Paulo, em 2024. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, documental e interpretativa, fundamentada na análise do discurso em diálogo com referenciais de gênero e estudos feministas da ciência. Foram definidos como critérios de seleção: aprovação no PNLD, circulação em escolas públicas e atualidade editorial. A análise concentra-se em categorias como masculinidade como norma científica, visibilidade editorial de mulheres cientistas, localização e extensão de suas aparições no material, bem como tratamento narrativo de suas trajetórias e contribuições para a Física. Os resultados indicam a persistência de uma centralidade masculina na narrativa histórica e conceitual da disciplina, enquanto mulheres cientistas aparecem de forma reduzida, frequentemente deslocadas para boxes laterais, notas complementares ou seções de curiosidade. Conclui-se que a escrita didática da Física ainda opera por meio de mecanismos discursivos que reforçam desigualdades de gênero e limitam a ampliação de referências científicas plurais no contexto escolar.
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