PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E MANEJO TERAPÊUTICO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA: ESTUDO MULTICÊNTRICO
DOI:
https://doi.org/10.66104/2je4b293Palavras-chave:
Esclerose múltipla, Enfermagem, Doença CrônicaResumo
O presente estudo teve como objetivo central delinear o perfil terapêutico da Esclerose Múltipla (EM) em diferentes polos regionais dos estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, transversal e quantitativo. Realizado em unidades de dispensação de medicamentos de Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) em municípios de médio e grande porte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, entre novembro de 2024 e novembro de 2025. Participaram do estudo 83 pacientes com diagnóstico confirmado pelos Critérios de McDonald e idade entre 18 e 80 anos. Utilizou-se estatística descritiva e teste de qui-quadrado (significância de 5%) via software SPSS 21.0.O estudo demonstrou predomínio do sexo feminino (68,7%) e de indivíduos autodeclarados brancos (60,2%). Observou-se um elevado nível de escolaridade, com 38 participantes possuindo ensino superior. A forma Remitente-Recorrente foi a mais comum, atingindo 75% dos participantes em um dos polos analisados. O Natalizumabe foi o medicamento mais utilizado globalmente (42,2%), seguido pelo Fingolimode (31,3%). Houve diferença significativa nos tratamentos conforme a localidade (p < 0,001); o Natalizumabe apresentou ampla utilização em centros específicos. Identificou-se uma baixa adesão a terapias não farmacológicas, como fisioterapia e acompanhamento nutricional. Conclui-se que o perfil identificado corrobora a literatura quanto à prevalência em mulheres jovens e escolarizadas. A variação na escolha terapêutica entre as regiões sugere a influência de protocolos locais e a disponibilidade logística de centros de infusão. Os achados reforçam a necessidade de uma abordagem multidisciplinar mais robusta para além do tratamento medicamentoso.
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