Institucionalizando a equidade: instrumentos administrativos, burocracias públicas e ação estatal no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.66104/xeg0ea92Palavras-chave:
Antropologia do Estado, feminismo de Estado, políticas públicas de gênero, burocracias, institucionalização da equidadeResumo
Este artigo analisa a Portaria nº 149/2024 da Secretaria de Estado do Planejamento do Piauí (SEPLAN/PI), que institui o Comitê Permanente de Gênero, Raça, Diversidade e Inclusão, com o objetivo de discutir em que condições um ato administrativo de baixa hierarquia pode ser compreendido como instrumento de política pública de gênero. Partindo de uma abordagem documental e interpretativa, examinamos a arquitetura normativa da portaria à luz do novo institucionalismo feminista, do feminismo de Estado, da perspectiva interseccional e das contribuições da antropologia do Estado e da etnografia das burocracias. Argumentamos que a relevância analítica do documento não reside apenas em seu conteúdo normativo, mas em sua capacidade de produzir categorias institucionais, distribuir responsabilidades organizacionais e inscrever a equidade como problema legítimo da ação estatal. A análise evidencia estratégias de institucionalização baseadas na permanência, na transversalidade, na representatividade e na accountability, ao mesmo tempo em que revela tensões entre intenções normativas, capacidades burocráticas e condições de implementação. Ao examinar uma experiência situada em um contexto periférico do federalismo brasileiro, o artigo contribui para os debates sobre feminismo de Estado, institucionalização da equidade e produção cotidiana do Estado, demonstrando como instrumentos administrativos podem atuar como mecanismos de transformação institucional mesmo em contextos marcados por restrições políticas e organizacionais.
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